AÇÚCAR

Com produção menor, açúcar dá lugar ao etanol em novo ciclo alcooleiro

As quedas nas safras 18/19 e 19/20 da produtividade da cana-de-açúcar refletem em mais um ciclo alcooleiro para o mercado do Brasil, que ainda desponta frente as projeções de redução da produção na UE, Índia e Tailândia.

Foto: EFE / Marcelo Sayão

O Brasil, maior produtor de açúcar do mundo, ainda se mantém junto com países líderes no setor, especialmente, pelo aumento da fabricação de etanol- aposta das usinas do trading diante da redução do volume de cana que assolou as últimas safras e permanece na próxima de 2019/2020.

Isso porque a falta de chuvas, entressafras longas e crise econômica com entrave nos investimentos atrapalhou a indústria sucroalcooleira e gerou uma necessidade urgente de investir no “mix” de produção, isto é, flexibilizar a produtividade entre açúcar, etanol de açúcar e etanol de milho.

Um indicativo da situação foi divulgado nesta terça-feira (30) durante a 18ª Conferência Internacional Datagro, evidenciando que o Centro-Sul do país deve produzir 26,38 milhões de toneladas de açúcar nesta safra 2018/2019, o menor volume em 12 anos por causa da queda na safra de cana e à maior destinação da matéria-prima para fabricação de etanol.

Já para a safra 2019/2020, que começa em abril do próximo ano, a consultoria projetou uma quantidade similar a da safra atual, oscilando entre os 26 milhões de toneladas.

“Será uma safra mais velha, o plantio de 12 meses está atrasado. Levantamento dos agrônomos indica que a cana está respondendo bem às chuvas desde agosto. Está atrasada no desenvolvimento, mas está respondendo bem”, explicou o presidente da consultoria, Plínio Nastari.

 Para o etanol também é esperada uma produção semelhante à de 2018/2019, em 30,5 bilhões de litros. A perspectiva para moagem saiu de 540 milhões para 570 milhões de toneladas. O mix de produção tende a ficar em 35,5% para açúcar.

A queda na produção de açúcar nestas duas safras vai gerar um ciclo mais alcooleiro deve impactar a oferta global na Bolsa de Nova York, passando de um superávit para um déficit, melhorando o preço da matéria-prima.

A Datagro estimou o déficit global de 1,58 milhão de toneladas nesta safra, que deve terminar nas próximas semanas, e espera que o déficit salte para 7,51 milhões na próxima. O pulo se dá, especialmente, às perspectivas de produção da Índia, Tailândia e União Europeia, que também caíram devido a instabilidade climática e redução das áreas de cultivo.

De acordo com Nastari, se os preços do açúcar determinados pela situação do Centro-Sul brasileiro continuarem crescendo, a tendência é que no segundo semestre de 2019 haja uma reversão para o açúcar.

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Publicado em Energia

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