GLIFOSATO

Comissão Europeia renova permissão para uso do glifosato por 18 meses

A Organização Mundial da Saúde e a Agência Europeia de Segurança Alimentar estão no centro do debate sobre a substância, investigada como cancerígena

(Foto: Formad/Divulgação)

A Comissão Europeia (CE) renovou, nesta quarta-feira (28), por um prazo de 18 meses, a permissão para o uso do glifosato, substância presente em herbicidas que, segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, é um possível cancerígeno.

A autorização foi acordado “após o fracasso dos estados-membros de assumir sua responsabilidade” nesse âmbito. A meidade se prolongará até que a Agência Europeia de Químicos emita sua opinião, disse a CE em comunicado.

“A CE ampliou hoje a aprovação do glifosato por um período limitado de tempo, até finais de 2017 como muito tarde. No final de 2017 se espera uma opinião adicional sobre as propriedades da substância ativa por parte da Agência Europeia de Químicos”, precisou a CE.

O Executivo comunitário propôs também restringir as condições de uso do glifosato na UE. Dentre as restrições se inclui a proibição do coformulante (princípio não ativo em pesticidas) PAO-taloamina, a redução do uso da substância em parques públicos, terrenos de recreio de crianças, e o reforço da fiscalização do uso de glifosato antes das colheitas.

A decisão já tinha sido antecipada na terça-feira pelo titular europeu de Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis, ao término do Conselho de ministros europeus de Agricultura e Pesca.

“Abordamos o assunto com os estados-membros no comitê permanente, no comitê de apelação e em bilaterais. Estou surpreso com as posições de alguns deles que não quiseram escutar nossas propostas”, lamentou Andriukaitis.

“Sabemos que existe um prazo limite fixado em 30 de junho e vamos adotar a prorrogação da autorização do glifosato por 18 meses”, acrescentou.

“A CE lamenta que os estados-membros não tenham sido capazes de chegar a um acordo sobre estas condições restritivas e dirigirá os esforços necessários para que as adotem tão breve quanto possível”, acrescenta o comunicado da CE.

Por sua parte, a ONG Greenpeace lamentou a decisão da CE “apesar aos alertas da Organização Mundial da Saúde de que a substância pode causar câncer”.

O Greenpeace acrescentou que os governos nacionais e a CE deveriam começar a preparar um plano para abandonar o glifosato o mais brevemente possível.

Sem uma renovação antes da atual, os países da União se viram obrigados a retirar as autorizações de todos os produtos a base de glifosato, dentre os quais figura o herbicida Roundup de Monsanto, o mais vendido do mundo. Apesar da opinião negativa da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, da Organização Mundial da Saúde (OMS), que o incluiu em sua lista de possíveis cancerígenos, no último mês de novembro a Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) concluiu que não há evidências científicas do vínculo entre o glifosato e essa doença.