ELEIÇÕES

Condenação ao protecionismo une presidenciáveis

Com pequenas diferenças, todos condenaram o protecionismo promovido pelo governo dos Estados Unidos e advogaram por um comércio internacional sem barreiras

Marina Silva durante sua fala no debate promovido pela CNA. EFE/Joédson Alves

Quatro dos principais candidatos à Presidência do Brasil se pronunciaram na última quarta-feira (29) com firmeza contra o protecionismo e se comprometeram a impulsionar o livre-comércio e uma maior inserção do país nos mercados globais.

A ecologista Marina Silva, o social-democrata Geraldo Alckmin, o liberal Henrique Meirelles e o centrista Álvaro Dias participaram de um fórum organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e o principal ponto de convergência foi que o Brasil deve ser mais ativo no cenário internacional, em defesa do livre-comércio.

Com pequenas diferenças, todos condenaram o protecionismo promovido pelo atual Governo dos Estados Unidos e advogaram por um comércio internacional sem barreiras, no qual se prime pela “competitividade” que, segundo concordaram, ainda deve melhorar – e muito – no Brasil.

Todos os candidatos também destacaram o peso específico do campo brasileiro, responsável pelo 44% das exportações do país, que é um dos maiores produtores mundiais de alimentos.

O mais enfático na condenação ao protecionismo foi Alckmin, que se comprometeu a exercer uma “defesa intransigente dos produtos brasileiros e do livre-comércio” e criticou frontalmente a política do presidente americano, Donald Trump.

“O protecionismo é um equívoco que prejudica a economia mundial” e constitui “uma visão distorcida”, que “pode reduzir a força do comércio internacional”, considerou o tucano.

O candidato social-democrata afirmou que, se vencer as eleições de outubro, manterá “um ativismo comercial sem ideologia” e promoverá tanto uma maior abertura do mercado nacional como uma “forte” inserção do país nos mercados globais.

Meirelles projetou uma linha similar, mas destacou a necessidade que a China siga sendo um parceiro privilegiado do país.

“Não há dúvidas que hoje a China é o mercado mais importante” e, “embora se diga comunista”, é “um país pragmático” que “seguirá crescendo” e deverá ser “uma prioridade” do próximo Governo, disse o ex-ministro de Fazenda e ex-presidente do Banco Central.

Ele ainda defendeu insistir nas negociações do Mercosul com a União Europeia (UE) e uma aproximação com o Reino Unido após o “brexit”, assim como manter a aproximação com a Aliança do Pacífico, integrada por Chile, Colômbia, México e Peru.

Meireles também considerou que é necessário fazer o “dever de casa”, com uma série de políticas que permitam uma “redução da alta carga tributária” que pesa no país e garantir mais investimentos em infraestrutura e tecnologia, tudo para reduzir o chamado “custo Brasil”, que é pressionado até por excessos burocráticos que devem ser eliminado.

Marina Silva trouxe a questão ecológica à discussão e, coincidindo na condenação ao protecionismo, também pôs o dedo na ferida que representa o meio ambiente para o setor agropecuário.

“Brasil tem o desafio de continuar sendo uma potência agrícola, mas também deve ser uma potência ambiental”, declarou Silva, quem antecipou que, se vencer as eleições, imporá uma política de “desmatamento zero”, sobretudo na Amazônia, sobre a qual avança a fronteira agropecuária.

Segundo as últimas pesquisas, o favorito para as eleições é, com quase o 40% das intenções de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas sua candidatura pode ser vetada pela justiça, pois ele está preso, condenado a doze anos por corrupção.

Com Lula fora do pleito, as pesquisas situam em primeiro lugar o ultradireitista Jair Bolsonaro, com quase um 20%, seguido por Marina Silva, com 15%, e Alckmin e o trabalhista Ciro Gomes, que têm entre 6% e 9% das simpatias, aproximadamente.

Bolsonaro e Ciro Gomes também tinham sido convidados pela CNA para o evento, mas ambos declinaram, o que deixou uma clara sensação amarga nos responsáveis dessa entidade.

“Todos foram convidados. E aqueles que não vieram é porque, evidentemente, não querem dialogar com os responsáveis do setor agropecuário brasileiro”, declarou João Martins, presidente da CNA, ao abrir o fórum.

Marcados com: , , ,
Publicado em Economia

Twitter: efeagrobrasil