Transgênicos Brasil

Controversos, transgênicos completam 20 anos no Brasil com balanço considerado positivo

Levantamento feito por consultoria apontou benefícios produtivos e ecológicos dos organismos geneticamente modificados

EFE/Weimer Carvalho

Aplicados pela primeira vez na agricultura brasileira em 1998, os transgênicos completam, em 2018, 20 anos no solo mais importante para a alimentação mundial. Segundo pesquisa realizada pela consultoria Agroconsult, em parceria com o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), a cultura dos organismos geneticamente modificados (OGMs), nas últimas duas décadas, incutiu diversos benefícios à agricultura brasileira, como maior produtividade e menor uso de agrotóxicos.

 As culturas que mais utilizam os OGMs no Brasil são a soja (92,3%), algodão (94%) e milho (entre 74% e 87%, dependendo da época). Para os três produtos, a lucratividade por hectare da variedade transgênica foi superior à convencional: a margem da soja transgênica chega a ser 26% maior, enquanto a do algodão, 12%. Para o milho de inverno, a diferença chega a 152%, enquanto para a de verão, 64%.

 Apesar do aumento do uso de agrotóxicos no Brasil, que tornam o país o maior consumidor de químicos do mundo, a pesquisa aponta que, sem os transgênicos, o uso poderia ser muito maior. O relatório estimou que o cultivo de OGMs evitaram a aplicação de 800 toneladas de agrotóxicos nesses 20 anos, que seriam utilizados para o controle de pragas para as quais os transgênicos são resistentes.

 “De maneira geral, houve redução do uso de herbicidas nas culturas transgênicas, em relação às convencionais. Em alguns casos, foi detectado um aumento, mas aliado à troca para defensivos de menor toxicidade e risco à saúde”, declara Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Embrapa.

 Outro benefício dos transgênicos avaliados pela pesquisa foi a diminuição da pressão por novas áreas agrícolas, em função do aumento da produtividade.

 “Caso fosse necessário manter o nível de produção alcançado pelas áreas de cultivos de transgênicos, deveriam ter sido plantados cerca de 10 milhões de hectares a mais no país nos últimos vinte anos”, explica Adriana Brondani, diretora-executiva do CIB.

 O levantamento aponta, ainda, uma injeção de 45 bilhões de reais na economia brasileira, com a geração de quase 50 mil postos de trabalho.

 

A polêmica dos transgênicos

 Transgênicos são espécies que passaram por um processo de alteração em seu material genético original, em especial pela introdução de sequências de genes provindas de outra espécie. No caso dos produtos agrícolas, são inseridos genes que conferem características de interesse para o setor, como a resistência a herbicidas ou produção de toxinas contra pragas. A soja RR, por exemplo, possui o trecho de DNA de uma bactéria, que a torna resistente ao glifosato, sendo possível aplicar o herbicida sem prejudicar a cultura.

 Além do dilema ético de utilizar a técnica, que manipula a própria definição de cada espécie, os transgênicos costumam ser criticados pelas dúvidas que existem sobre o tema, como a segurança de alimentar-se desses organismos e uma possível potencialização do uso de agrotóxicos, em virtude da resistência criada.

 “Ainda não foi identificado um impacto relevante à saúde humana ou ao meio ambiente no uso dos transgênicos. Existe um estudo, que foi amplamente divulgado (publicado em 2012, pela revista Food and Chemical Toxicology), mas, posteriormente, considerado insuficiente”, alega Nepomuceno.

 Para ele, a transgenia é uma técnica que veio para ficar, sem a qual o abastecimento mundial se tornará muito mais difícil.

 “Não tem como ficar sem esse tipo de tecnologia, embora deva ser algo pesquisado e aplicado com cuidado. Hoje, contudo, existe uma preocupação desproporcional, o que encarece o desenvolvimento de OGMs, limitando-o a quatro grandes grupos empresariais, o que prejudica a evolução do setor”, argumenta o pesquisador da Embrapa.

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Publicado em Agricultura     Meio ambiente e Tecnologia

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