Melhoramento Genético

Edição genética produz tomate maior, mais saboroso e com mais antioxidantes

Cultivar domesticada possui alta concentração de licopeno, substância que auxilia na prevenção do câncer de próstata

Imagem ilustrativa. Foto/Pixabay

Um grupo de pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da Alemanha, com participação da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Viçosa (UFV), domesticaram, pela primeira vez, uma espécie de tomate selvagem através de uma técnica de edição gênica, tornando-o mais rico em sabor, antioxidantes, tamanho e produtividade. O trabalho foi divulgado na revista científica Nature.

A espécie de tomate selvagem escolhida para ser domesticada foi a Solanum pimpinellifolium, considerada mais próxima do ancestral do tomate comum. Os frutos dessa espécie são do tamanho de ervilhas e têm baixa produtividade, mas possuem um aroma e um sabor mais intensos do que o tomate convencional.

O objetivo do grupo de cientistas era gerar boas características na planta, modificando sua composição genética, de modo a simular as mudanças que, no passado, deram origem ao tomate domesticado, mas sem perder propriedades da planta selvagem.

Os pesquisadores, então, modificaram a planta selvagem usando a técnica Crispr-Cas9, de modo que as plantas “filhas” adquirissem pequenas modificações genéticas em seis genes. Esses genes já haviam sido identificados pelos pesquisadores nos últimos anos, e são vistos como a chave para as características do tomate domesticado.

Depois do processo, observou-se que as plantas “filhas” geraram tomates com alta concentração de licopeno, um antioxidante que auxilia na prevenção do câncer de próstata. Por outro lado, os frutos possuíam um sabor muito mais rico, em virtude de maiores quantidades de ácido e açúcar. As cultivares modificadas também apresentaram cerca de dez vezes mais frutos de tamanhos até três vezes maiores.

Para o futuro, os cientistas já estão trabalhando com a espécie Solanum galapagense, que habita áreas rochosas de alta salinidade na ilha de Galápagos (Equador). Esta variedade conta com características agronômicas interessantes, como a resistência a altas concentrações de sal e a presença de tricomas, que são “pelinhos” que ajudam a planta a se proteger de insetos.

Marcados com: ,
Publicado em Agricultura     Meio ambiente e Tecnologia

Twitter: efeagrobrasil