FAO

Indicação de origem de alimentos pode aumentar seu preço em até 50%

O estudo calcula que os produtos em questão são avaliados em mais de 50 bilhões de dólares por ano, considerando o mundo todo

EFE/Zayra Morales

As etiquetas que indicam a origem geográfica de alimentos podem aumentar em até 50% seu preço final, segundo informe divulgado na última quinta-feira (26) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)

O estudo, elaborado em conjunto com o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), calcula que os produtos em questão são avaliados em mais de 50 bilhões de dólares por ano, considerando o mundo todo.

Foram analisados nove casos, como o café da Colômbia, o queijo Manchego da Espanha, o vinho brasileiro Vale dos Vinhedos, o açafrão do Marrocos e o chá Darjeeling da Índia.

A FAO destacou em comunicado que, na maioria desses produtos, esse tipo de identificação aumentou o preço final, com acréscimo de valor entre 20% e 50%, pois os consumidores estão dispostos a pagar mais por alimentos associados a características únicas de sabor, cor ou qualidade.

As indicações geográficas são uma estratégia dos sistemas de produção e comercialização de alimentos que, segundo o economista do Centro de Pesquisas da FAO, Emmanuel Hidier, “podem indicar um caminho para o desenvolvimento sustentável para as comunidades rurais”.

Dessa forma, acrescentou, se fortalecem as cadeias de valor e melhora-se o acesso a mercados que oferecem mais remuneração.

O estudo dá como exemplo o café colombiano, cujos preços dependem do mercado mundial, porém são superiores aos outros grãos, o que beneficia os pequenos produtores.

A federação nacional de cafeicultores do país (Fedecafé) protege a reputação do produto e assegura a redistribuição do valor agregado entre os agricultores, estabelecendo um preço mínimo de compra, ao passo que articula a indicação geográfica com distintas marcas.

Em relação ao queijo Manchego da Espanha, a FAO e o BERD apontam que sua denominação de origem permitiu inclusive proteger certas raças de ovelhas.

A chefa de Agronegócio do BERD, Natalya Zhukova, reforçou que as etiquetas que assinalam a origem geográfica geraram “um desenvolvimento rural positivo em países como França e Itália”, e animam outros governos e sócios a apoiar este tipo de processo e mercado.

O registro dessas indicações seguem as regulamentações de cada país, porém em nível internacional estão protegidas por um convênio multilateral sobre direitos de propriedade intelectual reconhecido pelos membros da Organização Mundial do Comércio.

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