SAÚDE ANIMAL

Mexicano cria antibiótico com pele de rã que pode curar infecções bovinas

A fórmula, criada a partir da pele de rã, elimina bactérias como a staphylococcus aureus meticilina e a pseudomona aeruginosa, afirma o pesquisador

EFE/Francisco Guasco

Um pesquisador mexicano criou um antibiótico a partir da pele de rãs que pode curar a inflamação nas glândulas mamárias das vacas sem deixar rastros tóxicos no leite, além de ser uma alternativa para combater as bactérias e curar algumas doenças em humanos.

Alfonso Islas, acadêmico do campus de Ciências Biológicas da Universidade de Guadalajara, criou e patenteou a substância batizada como “ranimicina”, que utiliza as propriedades antimicrobianas que a rã desenvolve de maneira natural para se proteger no meio ambiente.

O especialista em imunologia explicou que desenvolveu um estudo financiado pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia mexicana para aproveitar a pele da rã americana, muito usada na culinária na região de Valles de Jalisco.

Islas homogeneizou pedaços de pele e extraiu as moléculas e assim descobriu que existem 23 péptidos ou moléculas que servem como antibióticos naturais.

Com elas criou uma fórmula que elimina bactérias como a staphylococcus aureus meticilina e a pseudomona aeruginosa, causadoras de infecções hospitalares e que mostraram ser resistentes a antibióticos como a penicilina ou seus derivados, afirmou.

“Submetemos a fórmula a exames bacteriológicos e com isso foi possível matar bactérias como a escherichia coli (causadora de doenças intestinais), entre outras”, disse o especialista.

Um de seus colegas o desafiou a testar o composto nas vacas, já que cerca de 20% dos bovinos sofrem de mastite, ou seja, inflamações e infecções nas glândulas mamárias causadas pelas máquinas que extraem o leite.

O antibiótico aplicado em 280 vacas doentes conseguiu curá-las em cinco dias e evitou que elas fossem retiradas do processo de produção como ocorre quando recebem tratamento com penicilina, pois o antibiótico natural não deixa nenhum resíduo tóxico no leite.

“Quando você dá penicilina tem que retirar a vaca, porque o leite produzido por ela não passa na norma (sanitária) e o ser humano que tomar estará se contaminando. Com o nosso antibiótico natural não acontece nada, ou seja, é não é tóxico e não causa nenhum tipo de problema”, garantiu.

Isto beneficiaria os produtores de leite, que veriam reduzir as perdas econômicas por retirar as vacas da produção e pela despesa nos antibióticos comerciais.

“Os produtores estão deixando de ganhar até 20% com a venda do leite e, além disso, têm que gastar na penicilina, e com o nosso produto, que testamos em três fazendas, não é necessário, porque a vaca continua a produzir”, acrescentou.

As patentes mexicanas e internacionais de Islas permitem a comercialização do antibiótico, cuja dose tem um custo de 2,19 pesos (US$ 0,11) frente aos 30 ou 40 pesos (US$ 1,56 ou US$ 2,08) que é preciso pagar pela penicilina de marca. Além disso, uma pele de rã de 40 gramas pode render até 100 doses.

O pesquisador já conversou com empresários do México e outros países interessados em adquirir os direitos para comercializar o antibiótico.

De maneira paralela, Islas realiza estudos para a aplicação do antibiótico em seres humanos.
“Temos resultados na aplicação para curar a acne, fungos e na queratite oftálmica que surge como complicação de alguma cirurgia de olhos ou da catarata”, indicou.

No entanto, para comercializar como remédio de uso humano é necessário realizar um protocolo de pesquisa de médio prazo e obter a patente, ressaltou.

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Publicado em Meio ambiente e Tecnologia