Leite

Nestlé anuncia retirada de estabilizantes de seus leites longa vida; entenda o processo

Ideia da empresa é “simplificar” a lista de ingredientes dos produtos, retirando compostos “desconhecidos” do público

Foto: Pixabay/Couleur

A Nestlé apresentou à imprensa, nesta semana, na fábrica de leites em Carazinho (RS), a nova formulação dos leites longa vida da empresa, que passam a não contar mais com os estabilizantes, compostos químicos que eram adicionados ao leite para manter a homogeneidade e o frescor do alimento. A mudança vale para as marcas Ninho e Molico.

Apesar de a maioria dos estabilizantes apresentar sódio, eles não são condenados pelos especialistas do ramo de alimentos e não existem evidências científicas de que eles prejudiquem a saúde, tanto que são aceitos pelos órgãos reguladores federais. Para a Nestlé, contudo, a retirada dos compostos é importante para reafirmar a qualidade do leite e simplificar os ingredientes usados para a compreensão do consumidor.

“Com diversas práticas que envolvem toda a cadeia produtiva do leite, conseguimos chegar a um produto mais puro, que não necessita de estabilizantes, sem que isso comprometa o prazo de validade do alimento”, destacou Rodrigo Lopes, gerente de marketing de bebidas da empresa.

A retirada dos produtos só foi possível pela adoção de procedimentos que melhoraram a qualidade do leite que chega às fábricas. Entre os critérios analisados, estão o número de bactérias e células somáticas, além da quantidade de gorduras e proteínas.

“O leite sem estabilizantes não é consequência de um novo maquinário ou de uma nova tecnologia, mas sim do melhoramento do leite”, afirmou Taissara Martins, gerente de qualidade da Nestlé.

Entre as práticas adotadas nas fazendas, estão a refrigeração imediata do leite após a ordenha, que impede a proliferação de bactérias; a ausência de contato manual com o leite (ordenha mecânica); o processo de extração automática, que cessa a sucção de leite quando baixa o volume retirado; a higienização dos animais, locais e equipamentos; os cuidados com a saúde dos animais e a manutenção da estrutura em geral.

Corrida contra o tempo

A partir da coleta nas fábricas, é importante que o leite seja envasado rapidamente, já que, fora da caixinha, é altamente perecível. Assim, além da escolha de boas fazendas e dos testes de qualidade em todas as etapas, o tempo entre a ordenha e o envase tem de ser, no máximo, de 48 horas, para garantir a boa qualidade.

“O leite é um produto vivo, que está sendo transformado pela ação de agentes orgânicos. Essa ação biológica normalmente acidifica e desestabiliza o leite, portanto, para oferecer um leite fresco e sem estabilizantes, nossa corrida contra o relógio vai da vaca até a caixinha”, contou Anselmo Souza, gerente da fábrica de leites de Carazinho.

Na indústria, o leite passa por dois processos de esterilização: a pasteurização, que é um aquecimento brando do alimento, similar às fervuras caseiras, que mata boa parte das bactérias; e o processo UHT (Ultra High Temperature – Temperatura Ultra Alta), em que o leite é aquecido por quatro segundos a 140°C, zerando o número de microorganismos. Depois, é imediatamente envasado. Em virtude dessa esterilização, ele se conserva por um tempo muito maior com a embalagem fechada.

“As pessoas normalmente confundem os estabilizantes com os conservantes. Nunca foram colocados conservantes nos leites UHT, já que, por serem esterilizados, eles não necessitam. Já os estabilizantes não evitam que o leite estrague, mas sim que mantenha suas propriedades originais e seu frescor”, avaliou Michele Simen, analista de qualidade da fábrica.

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