ORIENTE MÉDIO

Países do Oriente Médio fecham acordo para enfrentar a insegurança alimentar

A parceria no Oriente Médio buscará sobretudo combater doenças e pestes, que podem se espalhar pela região, e a mudança climática e seus efeitos associados

EFE/ALESSANDRO DI MEO

Os países do Oriente Médio e do norte da África presentes na Conferência regional da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) fecharam um acordo para enfrentarem, juntos, a insegurança alimentar a partir de uma perspectiva regional.

A informação foi confirmada hoje (11) pelo diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, que ressaltou que, apesar das barreiras existentes entre os países da região, seus representantes concordaram em preservar o trabalho da organização e que é necessário “avançar juntos para abordar problemas que necessitam de um enfoque regional”.

Nesse sentido, Graziano citou as doenças e pestes, que podem se espalhar pela região, e a mudança climática e seus efeitos associados, como a escassez de água ou a crescente desertificação.

O diretor-geral disse ainda que não existem mecanismos concretos para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável em nível regional, mas que é “impossível que um país tenha segurança alimentar se os [países] vizinhos carecem dela”.

A FAO estima que, pelo segundo ano consecutivo, a fome no mundo aumentará, sobretudo por conta dos conflitos da mudança climática, o que, no caso do norte da África e do Oriente Médio, teve um “impacto devastador” após os esforços realizados durante os últimos dez anos para melhorar a segurança alimentar.

“É necessária uma completa revisão do que estamos fazendo para implementar um enfoque mais centrado na resiliência” e não só trabalhar para salvar vidas no âmbito humanitário entregando alimentos, afirmou o diretor-geral.

Graziano assegurou também que a conferência regional da FAO, concluída nesta sexta-feira em Roma e que contou com a participação de doze ministros e sete vice-ministros, não deixou de apoiar “um enfoque de assistência” como o empregado na Síria.

Lá, a agência da ONU está apoiando os agricultores para que sigam trabalhando (suas produções respondem por metade dos alimentos consumidos no país) e mantenham a atividade em suas fazendas.

Da mesma forma que em outros países afetado pelas crises, como o Líbano, o Iêmen ou a Somália, Graziano considerou que a resposta deve se focar especialmente nas mulheres, que serão maioria, junto aos seus filhos, quando acabarem as guerras.

“É importante prepará-las para que, quando voltem, tenham uma profissão”, argumentou o diretor-geral, que lamentou que, perante as atuais crises, os doadores estejam passando de investir no desenvolvimento à ajuda de emergência.

O representante regional da FAO, Abdel Salam Ould Ahmed, acrescentou que, apesar do conflito, o órgão tem trabalhado no Iêmen, entregando sementes, rações, vacinas para animais e dinheiro em troca de trabalhos na construção de canais e outras obras de irrigação a fim de reduzir a fome, que castiga 18 milhões de pessoas no país.

Ahmed afirmou que os países da região pediram à FAO para que prossiga com iniciativas como a lançada em 2015 frente à escassez de água, uma das “causas da fragilidade da região”, e dê prioridade à igualdade de gênero e a migração do campo, entre outros assuntos.

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