PIB AGRONEGÓCIO

PIB da agropecuária não cresce, mas se mantém estável em 2º tri

Em relação ao segundo trimestre de 2017, o crescimento foi de 1,0% no segundo trimestre do ano, o quinto resultado positivo consecutivo nessa comparação, no entanto a agropecuária variou -0,4%.

Foto: EFE Marcos Méndez

Com a greve dos caminhoneiros em maio e o tabelamento de frete, o Produto Interno Bruto (PIB) em volume do agronegócio ficou estacionado em 0,0%, mantendo estabilidade positiva frente as dinâmicas de estocagem e câmbio dos últimos meses, o que gerava uma expectativa de prejuízo às exportações.

Em relação ao segundo trimestre de 2017, o crescimento foi de 1,0% no segundo trimestre do ano, o quinto resultado positivo consecutivo nessa comparação, no entanto a agropecuária variou -0,4%.

“A queda na agropecuária, com relação ao ano anterior, se deve muito ao volume das safras boas, porque o ano passado foi um ano atípico de super safra, além disso se pode destacar a leve baixa da pecuária, relacionada com a demanda interna que não reagiu com as expectativas dos produtores”, explicou Leandro Gilio, economista e pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).

Outro fator ressaltado por Gilio ao Efeagro foi a renda do agronegócio, que tem sido prejudicada nos últimos anos devido à margem de preço do setor – naturalmente mais baixa que outros mercados -, que segue pressionada e sob risco pela imprevisibilidade do tabelamento de fretes, por exemplo.

“O agronegócio responde por 42% de todo o frete do Brasil e fatalmente com essa pressão sobre os custos vai haver repasses (aos produtores) para pressionar a inflação”, acrescentou.

De acordo com o economista, a super safra de 2017 faz com que a base de comparação seja muito alta e, apesar do índice estável divulgado nesta sexta-feira, “o dado não é preocupante”.

Ainda assim, o crescimento agropecuário em quatro trimestres, de 2017 a 2018, fechou positivo em 2%.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, os números registrados no segundo trimestre acompanham o esperado e acompanham os efeitos da greve dos caminhoneiros.

Para ele, uma das complicações é que o produtor não conta com “estabilidade cambial e incentivos”, o que costumeiramente desequilibram o setor.

“Tivemos uma perda de 70 milhões de animais por falta de ração que não chegou na hora ou mesmo pelo frango que não foi loteado, o que é um complicador para os números, mas o mês de julho e agosto está mostrando a real possibilidade do agronegócio”, citou Turra ao Efeagro, que também disse que o clima de imprevisibilidade eleitoral deve ser sobreposto pelos próximos índices de exportação e, consequentemente, afetar positivamente as futuras projeções.

De acordo com os dados divulgados pelo instituto de pesquisa, no segundo trimestre de 2018, o PIB variou 0,2%, frente ao primeiro período de 2018, pequeno aumento impulsionado pelo setor de serviços com 0,3% de aumento.

Os dados divulgados pelo IBGE coincidem com as previsões feitas pelos economistas, que esperavam um crescimento muito pequeno no segundo trimestre devido à greve dos caminhoneiros que paralisou o país onze dias em maio e causou uma grave crise de escassez em todos os estados.

 

PIB cresce 0,2% em 2º tri em relação ao 1º

No acumulado do primeiro semestre, o Produto Interno Bruto (PIB) da maior economia da América do Sul cresceu 1,1%, em relação ao mesmo período de 2017, o que mantém a lenta recuperação que vem ocorrendo desde a profunda recessão que sofreu, em 2015 e 2016.

O crescimento acumulado nos últimos doze meses até junho foi de 1,4% em relação ao trimestre de julho de 2016 a junho de 2017.

Esses dados confirmaram que a economia manteve em 2018 a recuperação tímida de 2017, quando acumulou crescimento de 1,0%, após as retrações de 3,5% em 2015 e de 3,5% em 2016, quando o Brasil enfrentou o cenário mais grave. recessão nas últimas décadas.

No setor de Serviços, houve crescimento nas atividades de Informação e Comunicação (1,2%), Atividades Imobiliárias (1,2%), Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados (0,7%) e Outras Atividades de Serviços (0,7%). As principais quedas foram em Transporte, Armazenagem e Correio (-1,4%), Comércio (-0,3%) e Administração, Defesa, Saúde e Educação Públicas e Seguridade Social (-0,2%).

Já a indústria, setor mais afetado pelas variáveis da greve dos caminhoneiros devido aos problemas com o transporte de matéria prima e escoamento,  teve queda de 0,6%. Neste setor, as atividades de Eletricidade e Gás, Água, Esgoto, Atividades de Gestão de Resíduos e Indústrias Extrativas cresceram, respectivamente, 0,7% e 0,4%, enquanto nas Indústrias de Transformação e Construção recuaram, ambas, 0,8%.

Foi o sexto resultado positivo após oito variações negativas consecutivas nessa comparação. Serviços tiveram desempenho positivo de 0,3%, enquanto houve estabilidade na Agropecuária (0,0%) e queda de 0,6% na Indústria.

Outro grande impulsionador desse tímido crescimento econômico está o consumo das famílias, que apresentou variações positivas de, respectivamente, 0,1% e 0,5%. Já a Formação Bruta de Capital Fixo recuou 1,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços reduziram 5,5%, enquanto as Importações de Bens e Serviços recuaram 2,1% em relação ao primeiro trimestre de 2018.

Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 1,693 trilhão e a taxa de investimento chegou a 16,0% do PIB, acima do observado no mesmo período de 2017 (15,3%). A taxa de poupança foi de 16,4% no segundo trimestre de 2018 (ante 15,7% no mesmo período de 2017).

Este crescimento foi também atribuído pelo IBGE devido ao aumento do crédito aos consumidores e redução de taxas de juros para combater a inflação no país.

Outro fator que impediu um melhor desempenho econômico foi o investimento, que no segundo trimestre atingiu patamares equivalentes a 16% do PIB, pouco acima da taxa observada no mesmo período de 2017 (15,3%).

A lenta recuperação da economia no primeiro semestre, a greve dos caminhoneiros e incerteza política em um ano com eleições imprevisíveis obrigou tanto o governo como os analistas a revisar para baixo suas projeções de crescimento no Brasil este ano.

O Banco Central, em seu último relatório trimestral, reduziu suas previsões em um ponto percentual e as colocou em 1,6%, ante 2,6% inicialmente previsto para 2018.

Os economistas, que esperavam uma expansão de mais de 3% já no início deste ano, agora esperam um crescimento de apenas 1,47%.

Marcados com: ,
Publicado em Economia

Twitter: efeagrobrasil