Alimentação

Por migração, ONU e União Europeia querem dar mais dinamismo ao campo nos países pobres

Objetivo é estimular a sucessão em zonas rurais e melhorar a distribuição mundial de alimentos

A União Europeia (UE) quer estreitar os laços com a Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a fim de “dinamizar as áreas rurais dos países pobres”.

Assim explicou hoje, em Roma, Leonard Mizzi, chefe de Desenvolvimento Rural da Comissão Europeia, entidade que recebeu mais de 1,5 bilhão de euros da UE entre 2007 e 2017.

“Queremos olhar mais de perto as causas que estão na raiz da migração”, afirmou Mizzi, que admitiu a “sensibilidade” do assunto e insistiu na importância de cooperar com a FAO para que as zonas rurais dos países em desenvolvimento “sejam mais atrativas para os trabalhadores”.

Os países europeus estão divididos quanto às questões migratórias, bem como no que se refere à distribuição dos refugiados ou à gestão das fronteiras, ainda que tenham se mostrado a favor de reforçar a cooperação com a África.

75% das migrações na África subsaariana não escapam aos limites do próprio continente e estão especialmente concentradas nos fenômenos de êxodo rural, em que a população sai do campo para as cidades, segundo os órgãos internacionais.

Diante dessa situação, Mizzi incentivou o “foco em determinados territórios” e a “redução dos fluxos populacionais para fora das áreas rurais”, fazendo que os “jovens permaneçam ali e obtenham êxito”.

Na última década, a União Europeia destinou fundos a mais de 250 programas liderados pela FAO em 60 países, focando sobretudo no enfrentamento da crise do preço dos alimentos de 2007 e 2008. Ultimamente, as atenções têm se voltado para questões de desenvolvimento agrícola relacionadas a conflitos, migração, meio ambiente e mudanças climáticas.

As duas instituições assinaram, na semana passada, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, um acordo em que a UE destinará 70 milhões de euros para ajudar aqueles que sofrem graves deficiências alimentares.

O diretor de Mobilização de Recursos da FAO, Gustavo González, destacou que a cooperação europeia zela por um “equilíbrio entre o atendimento a emergências e o fomento ao desenvolvimento” e contribui para o “sistema global de gestão alimentar”.

Segundo comunicado da agência, a União Europeia, junto com seus estados-membros, é responsável por 45% do orçamento da FAO. Cerca de metade das contribuições europeias foram direcionadas à África nos últimos anos.

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Publicado em Agricultura

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