APICULTURA

Produção de mel sagrado dos maias troca florestas por vida urbana

A abelha melipona se caracteriza, entre outros aspectos, por não ter ferrão.

EFE/Christian Dreckmann/CONABIO

As abelhas meliponas produzem um mel que os antigos maias consideravam sagrado por causa das suas propriedades medicinais. No entanto, é cada vez mais difícil achar colmeias originais por causa do desmatamento que a floresta maia sofre, razão pela qual agora parte da produção foi transferida para áreas urbanas.

De acordo com a bióloga Gretel Castillo, apesar de ser difícil encontrar enxames de meliponas na selva por conta da diminuição da mata nativa, felizmente tem crescido o interesse de jovens em dar continuidade a essa tradição ancestral na cidade.

A abelha melipona se caracteriza, entre outros aspectos, por não ter ferrão. Na Península de Yucatán estão catalogadas, segundo a especialista, 2.949 colmeias deste tipo, nas quais trabalham 87 apicultores de 24 municípios.

Das 46 espécies que existem lá, a Melipona beecheii é a mais utilizada para a produção de mel maia.

“A principal caraterística das meliponas é que elas não têm ferrão e seu mel é rico em nutrientes e antioxidantes, com alto poder medicinal, que serve para curar, por exemplo, úlcera gástrica, catarata, conjuntivite, queimadura e asma”, enumerou Castillo.

A bióloga tem em casa um tronco que os maias usavam como colmeia e que, segundo assegurou, “vale ouro”. Também tem 25 colmeias de trigona nigra, beecheii, scaptotrigona, nano trigona e plebeia, cinco das 47 espécies da Península.

 

EFE/Christian Dreckmann/CONABIO

De acordo com Castillo, as novas gerações começam a ter interesse pela produção de mel da melipona, cujo preço por litro varia entre 1.200 e 1.500 pesos (entre R$ 225 e R$ 282).

“A produção de mel da melipona tem muitos benefícios e poderia ser um estímulo para a economia da região”, disse a bióloga sem esconder a felicidade.

A especialista esclareceu que as colmeias de meliponas podem ser encontradas em muitos lugares, mas as da Península de Yucatán são de alta qualidade, porque frequentemente as abelhas visitam flores com poderes curativos e árvores frutíferas que florescem o ano todo.

O amor pelas abelhas sem ferrão começou há alguns anos, graças a Javier Quezada e Jorge González, da Universidade Autônoma de Yucatán (UADY). Durante os seus anos de estudo, ela e vários colegas perceberam que ter um meliponário era lucrativo, mas algumas pessoas tiveram que abandonar o trabalho com as abelhas porque o retorno financeiro não vem no curto prazo.

“As abelhas meliponas são muito delicadas. Quando não tem flores, não podem ser alimentadas com açúcar, como acontece com outras espécies e é por isso que os meliponários precisam de tanta atenção, como limpeza, verificação da temperatura e proteção dos ninhos”, explicou a especialista, revelando que, das cinco espécies que cria, a favorita é a plebeia.

O secretário de Desenvolvimento Rural de Yucatán, Pablo Castro Alcocer, afirmou à Agência Efe que as autoridades trabalham para resgatar a tradição dessas abelhas, que são cultivadas por produtores que vendem o mel em áreas turísticas e em lojas de produtos naturais.

Mas exportar mel de melipona, por exemplo, não é tarefa fácil. Geralmente as colmeias produzem apenas um litro por ano. “Além disso, a extração é muito difícil e requer muita habilidade”, acrescentou.

Atualmente, o órgão presta assessoria aos meliponicultores e dá cursos para melhorar a produção. O objetivo é capacitar 120 deles até o fim do ano, e alguns poderiam ser incluídos em futuros programas de incentivo do governo de incentivo ao produtor.

De acordo com Alcocer, os jovens e as práticas modernas de uso podem ser valiosas para salvar uma atividade considerada patrimônio da história do México.

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