MEIO AMBIENTE

Projeto que lança “bombas de sementes” combate desmatamento no Ceará

O método começou no Japão nos anos 70, onde “bombas” eram lançadas a partir de helicópteros para reflorestamento de algumas áreas. No Brasil, a aeronave foi substituída por parapentes usados no turismo de aventura.

EFE/ Arquivo

As “bombas de sementes“, método inovador de reflorestamento japonês utilizado para as áreas de difícil acesso, agora combinado com o turismo de aventura, começam a revitalizar a Chapada da Ibiapaba, no Ceará.

O método começou no Japão nos anos 70, onde “bombas” eram lançadas a partir de helicópteros para reflorestamento de algumas áreas. No Brasil, a aeronave foi substituída por parapentes usados no turismo de aventura.

No Ceará, essa prática ambiental começou a ser usada há mais de dois anos, quando um incêndio destruiu uma grande área da Mata Atlântica da Chapada da Ibiapaba, próxima da divisa entre o estado e o Piauí e a cerca de 300 quilômetros de Fortaleza.

A chapada também é conhecida como Serra Grande devido a seus 200 quilômetros de extensão reconhecidos pela variedade de microbiomas.

“Há mais ou menos dois anos houve um incêndio, e a Mata Atlântica foi toda queimada (naquela região), então fazemos esse trabalho de recuperação da mata com essas “bombas de sementes”, das quais 10% podem se tornar novas árvores, afirmou à Agência Efe João Bosco, diretor do projeto e proprietário do parque Sítio do Bosco.

As “bombas do bem“, como são chamadas por ele, são bolas de cerca de cinco centímetros de diâmetro fabricadas com barro misturado com estrume e água, recheadas de sementes, que são colocadas para secar sob o sol durante dois ou três dias para serem lançadas em zonas de difícil acesso para realizar o reflorestamento.

Segundo Bosco, o trabalho das “bombas” complementa o reflorestamento natural realizado por pássaros e outras espécies da fauna e flora e, por isso, esta técnica dá mais rapidez à revitalização das florestas.

As bombas são feitas de sementes de plantas nativas ou primárias, como milho e feijão, que tendem ser as primeiras a nascerem no solo reflorestado.

“Precisa dos materiais, como barro, para dar liga. Precisa de composto orgânico ou um pouco de esterco. Faz a bomba, coloca dentro as sementes, depois coloca pra secar e, em dois ou três dias, dá para arremessar de qualquer local”, contou o gerente ambiental Paulo Sergio, administrador de empresas e estudante de engenharia ambiental.

Paulo Sergio está à frente de um grupo de 15 adolescentes que trabalha no programa de reflorestamento da Chapada da Ibiapaba, associada à prática do parapente, onde o turista que chega para voar pela Chapada também pode arremessar as bombas de sementes.

No último carnaval, para aproveitar o fluxo de turistas, o “Sítio do Bosco” lançou duas mil “bombas” sobre a área de preservação ambiental de Ibiapaba e nas regiões dedicadas à agricultura familiar que perderam seus cultivos de frutas e hortaliças.

Com isso, crescem os projetos de turismo de aventura na região, o que ajuda o estado brasileiro a consolidar a Rota da Serra para atrair visitantes brasileiros e estrangeiros.

“O trabalho do turismo de aventura não contribui para o desmatamento como ocorre com uma parte da produção agrícola aqui na serra”, afirmou Bosco.

Outra cidade do Ceará pioneira na associação do turismo de aventura com o lançamento das bombas de sementes é Tianguá, de 60 mil habitantes, onde está localizada a Chapada do Araripe, mais uma formação montanhosa afetada pelo incêndio de 2015, que devastou as áreas serranas.

Na região, por exemplo, 10 mil bombas foram jogadas no ano passado em 22 de março, quando é comemorado o Dia Mundial da Água. Elas foram fabricadas por alunos de escolas públicas capacitadas pela ‘Sociedade Anônima de Água e Esgoto do Crato (SAAEC)’. A instituição espera agora alcançar a marca de 1 milhão de bombas.

Com o projeto, a zona das Chapadas vem transformando as alternativas ambientais sem deixar de aproveitar a economia e o turismo local.

Além das “bombas de sementes”, as comunidades da Chapada da Ibiapaba reutilizam o óleo de cozinha para a fabricação de sabão destinado a famílias de poucos recursos.