SAFRA 2017/2018

Safra de algodão cresce e de cereais diminui em meio a tensão por fretes no Brasil

Em evento conjunto, exportadores de algodão e cereais apresentaram as perspectivas para a safra 2017/2018 e demonstraram preocupação com o cenário do Brasil

EFE/Sebastião Moreira

Em um evento conjunto realizado nesta quinta-feira (5), a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) divulgaram suas previsões para a safra 2017/2018 de cereais (milho e soja) e de algodão, respectivamente; os resultados, porém, foram diferentes para cada cultura.

Segundo a Aena, a produção de algodão deve chegar às 1,956 toneladas na safra atual, com 1,1 milhões de toneladas destinadas à exportação. Porém, acredita-se que este número pode subir para até 2,015 toneladas, com perspectiva de exportação de 1,3 milhões de toneladas, o que representaria dois recordes e que se apresenta como meta para a associação.

“Estamos diante de uma safra com potencial enorme. A gente precisa efetivamente bater esse recorde e desafiar esse número. O Brasil hoje é o quarto maior produtor de algodão no mundo. Se a gente conseguir embarcar mais de 1,2 toneladas de algodão em pluma, ficamos na posição de segundo maior exportador. Apesar de um desafio, é uma oportunidade única”, afirmou em Henrique Snitcovski, presidente da Anea, durante coletiva de imprensa.

Já os cereais apresentaram recuo. A safra de soja deve totalizar 119 milhões de toneladas, com perspectiva de exportação de 73,5 milhões de toneladas; já o milho deverá chegar às 82,2 milhões de toneladas, sendo 55,2 milhões na safrinha e 27 milhões na safra verão.

“É uma queda bastante significativa, principalmente na safrinha, decorrente dos problemas climáticos em quase todas as regiões, com intensidades distintas”, avaliou André Pessôa, sócio-diretor da consultoria Agroconsult.

Durante o evento, lamentou-se muito o efeito causado pela greve dos caminhoneiros, que atingiu todo o Brasil, e criticou-se o eventual tabelamento dos preços de frete.

“Estamos vivendo um dos anos de maior incerteza no comercio de graos no passado recente. Com certeza, as exportadoras de grãos do Brasil, associadas da Anec, vão perdenter entre 10% e 30% do resultado do ano como impacto da greve”, estimou Luiz Rheingantz Barbieri, conselheiro fiscal da Anec.

Outra questão que gera incertezas é a “guerra fiscal” entre Estados Unidos e China, que têm aumentado impostos sobre a importação e exportação de produtos, e que pode afetar diretamente o Brasil.

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Publicado em Agricultura

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