ALGODÃO

Safra de algodão deve ser recorde e Brasil pode se tornar 2º maior exportador em 2019

Atualmente o Brasil é o terceiro maior exportador do mundo e ganha dos Estados Unidos em qualidade de produto.

Foto: EFE/ERIK S. LESSER

Após período de retomada do cultivo de algodão no Brasil e consolidação deste mercado desde a safra de 2016-2017, o país deve bater recorde de exportações da pluma na próxima colheita (2018-19) com cerca de 1,18 milhão de fardos vendidos, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa).

A nova safra, que deve ser semeada nas próximas semanas, já tem 15% do algodão negociado para exportações e a expectativa é de que até dezembro esse valor dobre para não perder o preço médio do mercado, de cerca de R$ 50,00 o fardo de 220 kg.

“Possivelmente chegaremos na próxima safra brasileira na posição de segundo maior exportador mundial, perdendo apenas para os Estados Unidos, que, ao contrário de nós, não tem algodão de qualidade”, disse o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero.

Ele estimou que a exportação de algodão do Brasil pode movimentar cerca de 25 bilhões de reais no ano safra.

O Brasil saiu do mercado de algodão em 1999, devido a proliferação de uma praga (bicudo) e começou a retomar no ano seguinte a produção, ainda que “a passos lentos” e em “áreas menores”.

“Começamos a contatar compradores internacionais e romper barreiras. Agora, estamos em uma situação consolidada, reconhecido como produtor que honra compromisso e que tem algodão de qualidade e com eficiência muito grande de atender o mercado internacional”, ressaltou Portocarrera.

Um fator que ajudou a alavancar a produção brasileira foi um decreto do governo da Índia, em 2011, que proibiu o maior produtor mundial de exportar devido as demandas internas, o que fez o Brasil ganhar posição nas negociações internacionais.

“Ainda que a produção da Índia cresça com a aprovação do algodão transgênico, o país tem problemas de estrutura de cultivo e mão de obra e para ter outro salto vai demorar. Além disso, com os problemas climáticos, o que eles produzirem de algodão vai ficar para o mercado interno, o que já vem acontecendo e beneficiou o Brasil”, explicou Portocarrero.

Atualmente o Brasil é o terceiro maior exportador do mundo e ganha dos Estados Unidos em qualidade de produto, de acordo com Portocarrero.

A produção da fibra também deve alcançar patamares recordes de 2 milhões de toneladas, um crescimento projetado em 11,12% em relação a safra anterior, de 2017-2018, que está terminando de ser colhida, como informou o diretor.

Segundo o órgão, desde a safra de 2016 até este ano, houve um aumento de produção de 26% em uma área de 1,2 milhão de hectares. Para a próxima safra, que começa neste segundo semestre, deve haver expansão dos algodoais para 1,4 milhão de hectares.

As áreas de cultivo devem aumentar até 10% por ano devido a um compromisso pactuado com a China, um dos maiores compradores do produto do Brasil, devido as denúncias de trabalho infantil e escravo e índices de poluição, o que fez as indústrias migrarem para países como Indonésia e Vietnam, 1º e 2º no ranking de compradores da fibra brasileira.

Com isso, a China continua controlando as negociações de algodão no bloco asiático e é responsável por definir as demandas do produto, especialmente depois de 2016, quando teve de lidar com estocagem excessiva e perdeu posição entre os líderes de produção.

No mundo, a Índia segue na liderança de maior produtor de algodão, mas perde diante dos problemas trabalhistas e climáticos, o que tem sido positivo para consolidação da campanha de exportação do Brasil, conforme explicou Portocarrero.

A última vez que o Brasil bateu recorde de exportação foi na safra de 2013/2014.

A Associação também projeta até 2022 um aumento de área de produção de 5 a 10%, atingindo também 2 milhões de hectares espalhados pelo centro-sul e nordeste brasileiro, com destaque de produtividade para os estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.

Atualmente, cerca de 60% do algodão brasileiro é exportado e, caso a área dobre, esse número pode saltar para 80%, priorizando a Ásia como principal mercado.

Dados deste ano, compilados pela Associação junto com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), mostram que a produção da cadeia de algodão gera mais de US$ 19 milhões ao PIB brasileiro, emprega mais de 79 mil pessoas e movimenta massa salarial de US$ 787 milhões.

A certificação do cultivo também é uma tendência mundial já protagoniza pelo Brasil, maior produtor de algodão certificado do mundo com 30% da produção global.

Fungicidas para otimização de cultivo

As estimativas de produção de algodão foram expostas durante o 1º Workshop sobre o cultivo realizado pela Bayer, em São Paulo, quando a empresa também lançou o fungicida FoxXpro para os cotonicultores brasileiros.

A tecnologia é registrada também para cultivos de cereais e soja, mas a partir das próximas semanas o principal foco de utilização será na semeadura do fibra na tentativa de conter pragas como bicudo e ramulária, a ferrugem do algodão.

De acordo com a Embrapa, a ramulária é considerada a principal doença do algodoeiro no país e no cerrado, onde está concentrada 90% da produção, ela se desenvolve muito facilmente.

Pensando nisso, o fungicida de tripla ação FoxXpro é a aposta da Bayer nos algodoais brasileiros por combinar diferentes ingredientes para “o gerenciamento de resistência da plantação e manejo sustentável”, como contou o gerente de Fungicidas da Bayer, Marcos Dallagnese.

O FoxXpro faz parte do plano de investimentos da empresa alemã na América Latina e “será ferramenta indispensável na proteção de lavouras, ajudando o produtor aumentar sua produtividade”, ressaltou o gerente.

“A aprovação do novo produto é o primeiro passo para iniciarmos o planejamento da comercialização no Brasil. O Fox continua sendo nosso principal fungicida devido aos altos índices de desempenho em outras lavouras”, reforçou.

Dallagnese contou também que, no próximo ano, algumas aplicações experimentais do fungicida serão realizadas em plantações de soja para avaliar, então, a aderência do produto a esse cultivo. A ideia é verificar a viabilidade do produto para, em seguida, colocá-lo ou não no portifólio da Bayer voltado para grãos.

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Publicado em Agricultura

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