AÇÚCAR E ETANOL

Setor de cana aposta em diálogo mais “prático” com Bolsonaro

O setor quer apostar em acordos bilaterais para alavancar a produtividade brasileira frente a problemas de demanda mundial

EFE/Ricardo Moraes/POOL

Empresários e dirigentes do mercado sucroenergético do Brasil apresentaram nesta terça-feira algumas das propostas que serão levadas ao novo presidente do país eleito no domingo, Jair Bolsonaro (PSL). Entre elas estão as maiores preocupações do setor: a condução do programa RenovaBio, de incentivo a biocombustíveis.

“Nossas relações institucionais irão começar do zero e esperamos contar com segundo ou terceiro escalão do novo governo e com figuras já conhecidas durante os últimos meses da gestão Temer no desafio de dar continuidade ao RenovaBio”, destacou com o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, durante a 18ª Conferência Internacional Datagro.

Destaque entre as reclamações das lideranças foi a carga tributária da produção interna e o combate ao protecionismo de alguns mercados internacionais. O setor quer apostar em acordos bilaterais para alavancar a produtividade brasileira frente a problemas de demanda mundial.

Também são temas a serem defendidos à nova composição governamental a agenda fiscal, o ICMS, o fortalecimento dos diálogos estaduais em relação ao etanol, além de sustentabilidade e inovação dos biocombustíveis e projetos de melhora na infraestrutura logística.

Com fortes críticas ao governo de Dilma Rousseff (2010-2016), as lideranças da cana destacaram que a “ausência” de diálogo entre a presidência e o setor prejudicou muito o avanço de inovações em infraestrutura e sustentabilidade.

No governo de Michel Temer, os empresários destacaram que houve uma abertura maior para a apresentação de demandas que eles querem manter com o governo eleito.

Ainda sem contato direto com a equipe de Bolsonaro, os líderes querem aprovar últimas medidas do RenovaBio nos próximos meses, antes da transição. Eles explicaram que a corrida para discutir o programa ainda na pauta da gestão Temer é uma forma de “cautela” diante do desconhecimento da condução do tema pelo novo presidente.

No entanto, muitos dos empresários também se mostraram confiantes na recuperação econômica nas mãos de Paulo Guedes, quem Bolsonaro antecipou ser seu ministro da Fazenda.

“Além disso queremos ter influência para implementação da regulamentação do biocombustível, convencendo o governo disso”, afirmou o presidente do Conselho da União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (UNICA), Pedro Mizutani

Mizutani aposta no “pragmatismo” do governo eleito a partir da posse, em 1º de janeiro de 2019.

“Não vai ser como o governo Dilma que nem recebia a gente. O Temer começou a melhorar [o diálogo] e acho que esse governo não vai ser ‘mimimi'”, qualificou.

Para o presidente da Biosul, Roberto Hollanda Filho, para a equipe de Bolsonaro ter êxitos neste mercado será necessário “previsibilidade” para determinar políticas públicas de longo prazo e investimentos em infraestrutura logística.

“Queremos nos aproximar dos cabeças que vão pensar o agro no governo Bolsonaro”, reiterou.

 

Depois de eleito no domingo, Bolsonaro declarou que Brasil vai voltar a liderar a produção de etanol em vídeo apresentado na abertura do Congresso.

 

 

Marcados com: , ,
Publicado em Economia

Twitter: efeagrobrasil